Como calculamos
Fonte. Usamos exclusivamente documento escrito e público, nunca notícia, entrevista ou rede social. No Executivo é o plano de governo que a candidatura registrou no TSE.
No Legislativo não existe plano por candidatura, porque a lei não exige, então a fonte é o documento do partido: o programa partidário que ele publicou ou o plano da chapa que ele registrou apoiar.
A seção No Senado, a fonte é outra, abaixo, detalha isso.
Para cada afirmação do teste, lemos o plano e classificamos a posição do candidato numa escala de 1 (totalmente desafinado com a afirmação) a 5 (totalmente afinado), com 3 = neutro, sempre com justificativa e página(s).
Quando o plano não trata do assunto, marcamos "não aborda".
Concordância. Você responde na mesma escala de 1 a 5. Para cada pergunta, a proximidade entre você e o candidato é 100 × (1 − |sua resposta − posição do candidato| / 4). Respostas iguais valem 100; polos opostos, 0.
Peso. Cada pergunta tem um peso de 1 a 5, que começa na faixa que você deu ao tema na calibração e pode ser mudado na própria pergunta.
Cálculo. A nota final é a média do quanto cada plano se aproxima de você, pergunta a pergunta, ponderada pelo peso que você deu a cada uma.
Ela vai de 0 a 100, sempre na mesma régua, para todos os candidatos e para todos os temas.
Pergunta por pergunta, a régua é esta: posição igual à sua vale 100; vizinha, 75; a dois passos, 50; a três, 25; o polo oposto, 0.
O 50 é o meio exato. Acima dele o plano concorda com você mais do que discorda; abaixo, o contrário. É onde a cor do número vira.
Antes a nota era mostrada de −100 a +100. A conta é a mesma, só a apresentação mudou: nenhuma posição do ranking se alterou, porque a régua nova é a antiga esticada por igual para todos. A antiga confundia, porque a barra colorida já ia de 0 a 100 e não batia com o número escrito ao lado, e o gráfico por tema desperdiçava metade do desenho.
Uma régua só de peso, de 1 a 5. A calibração do começo não é um segundo cálculo: ela apenas define com que peso cada pergunta daquele tema vai aparecer para você, e em cada pergunta você pode mudar.
Mexer num tema na tela de resultado reescreve o peso de todas as perguntas dele.
Quem não fala do assunto perde ponto. Na régua de 0 a 100, o silêncio vale menos quanto mais importante for a pergunta para você: se você marcou Muito pouco, a pergunta sai da sua conta; em Pouco o silêncio vale 37,5; em Normal, 25; em Influencia, 12,5; e em Decisivo vale 0, o mesmo que o plano defender o oposto do que você pensa.
Na tela de resultado há um filtro para mudar isso: não tirar ponto nenhum, tirar metade, o padrão, ou tirar o dobro. Não há inferência de nenhum tipo: o que o plano não diz conta contra ele na medida em que você escolher.
Os quatro tamanhos do teste
São 86 afirmações ao todo, e antes das perguntas você escolhe quantas quer responder, em quatro tamanhos: simplificado, médio, completo e super completo.
Na disputa presidencial eles são 39, 58, 74 e 86. Nas outras podem ser menores, e o cartão de cada um mostra o número daquela eleição.
O motivo é simples: afirmação que nenhuma candidatura daquela disputa aborda não mede nada. Ela só faria você responder à toa e tiraria ponto de todo mundo igual. Então ela sai de todos os tamanhos ali. Em Rondônia, por exemplo, o super completo tem 49 afirmações, porque são essas que ao menos um plano de lá trata.
Não confunda esse número com o do recorte. O tamanho é quantas perguntas você responde. O recorte é quantas entram na conta daquela disputa, e depende do que as candidaturas de lá escreveram.
Os dois números quase nunca batem, e isso é esperado. As versões curtas são escolhidas olhando a disputa presidencial, então lá elas quase todas entram na conta: das 39 do simplificado, 38 contam. Numa eleição estadual, onde os planos tratam de outros assuntos, a diferença é maior.
Cada tamanho contém o anterior. Dá para começar pelo simplificado e completar depois sem refazer nada.
O tamanho curto favorece plano curto, e isso é medido
As afirmações dos tamanhos menores são as que mais planos abordam. Isso é de propósito: sem esse critério, o teste curto encheria de assunto que quase ninguém tratou e a nota viraria punição coletiva.
O preço é real e vale saber. A punição por silêncio é o que mais separa plano detalhado de plano raso, e ela quase não age no tamanho curto, porque ali quase ninguém fica calado. Sobra quase só concordância.
Na disputa presidencial, uma candidatura cobre 87% das afirmações que contam no simplificado e 68% das do questionário inteiro. Outra cobre 50% contra 33%. Já Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado cobrem praticamente o mesmo nos dois.
Simulando 3.014 perfis de eleitor, a nota de quem tem plano curto sobe até 8,7 pontos no simplificado, e a de quem tem plano longo fica em torno de zero. O primeiro lugar muda em parte dos casos, e o pódio muda com frequência.
Por isso o resultado avisa na tela quando o tamanho escolhido está favorecendo alguém desse jeito. O aviso não é preso a um tamanho: ele compara, candidatura por candidatura, a cobertura no que está sendo contado com a cobertura no questionário inteiro daquela disputa, e aparece a partir de 10 pontos percentuais de diferença.
O super completo é o único tamanho em que isso não acontece, porque nele não há amostra: entram todas as afirmações que ao menos uma candidatura daquela disputa aborda.
Como escolhemos quais perguntas ficam nas versões curtas
Não há sorteio. A régua é a disputa presidencial, porque é onde a maior parte do eleitorado está decidindo e onde cabem as competências mais discutidas, como STF, imposto de renda e jornada de trabalho.
A ordem é esta: primeiro as afirmações em que Lula e Flávio Bolsonaro se posicionam; depois as em que ao menos um dos dois se posiciona; e dentro de cada grupo, as que mais dos 14 planos presidenciais abordam.
O resultado é que as 39 do simplificado são tratadas por 77% dos planos presidenciais, contra 67% das 86. Em 30 delas as duas candidaturas de referência escreveram alguma coisa.
Cada um dos 13 temas mantém sua cota, então nenhum tema desaparece na versão curta.
Nas disputas estaduais isso não vira problema. O recorte adaptativo tira da conta a afirmação que os planos daquele estado não tratam, e imposto de renda e poderes do Supremo não são competência de governador.
A comparação entre os candidatos de lá continua pareada, todos medidos pelas mesmas afirmações.
Quem são as candidaturas de referência, e por que essas
É decisão editorial nossa, e não vem de documento.
O sistema do TSE que registra pesquisas eleitorais, o PesqEle, publica que a pesquisa vai acontecer: cargo, datas, número de entrevistados, quem contratou e quanto pagou. Não publica resultado nenhum. Quem divulga percentual é o instituto, não o Tribunal.
Escolhemos Lula e Flávio Bolsonaro por serem as duas candidaturas com maior intenção de voto nas pesquisas divulgadas pela imprensa. Deixamos escrito aqui justamente para quem quiser discordar da escolha.
A pauta do teste curto
Oito afirmações entram na versão curta por decisão editorial, não por estatística: fim da escala 6x1, faixa de isenção do Imposto de Renda, contrapartida de trabalho no Bolsa Família, universalização do saneamento por concessão, regulação das redes, poderes do STF, presídios de segurança máxima e facções como organizações terroristas.
O motivo é simples. Cobertura e correlação dizem quais afirmações separam as candidaturas. Não dizem quais o eleitor reconhece como assunto dele. Um teste curto que não fala do que a pessoa viveu não serve, por mais bem medido que seja.
Por que duas perguntas parecidas não entram juntas
Duas afirmações que os documentos respondem quase sempre do mesmo jeito medem a mesma coisa. Num teste curto, gastam duas vagas sem separar ninguém.
O corte depende de onde as duas estão. No mesmo eixo do espectro, correlação acima de 0,8 já é repetição, e a segunda é adiada. Em eixos diferentes, só corta acima de 0,92, que aí é a mesma pergunta escrita de dois jeitos.
A distinção importa. "Presídio no modelo de El Salvador" e "ferrovia por autorização privada" andam juntas nos documentos porque marcam o mesmo campo político. Isso é o espectro, que o teste existe para medir, e não repetição.
Já "saneamento universalizado por concessão" e "infraestrutura por concessão" são respondidas do mesmo jeito por 191 documentos, com correlação de 0,85, e no mesmo eixo. Aí a segunda gasta uma vaga sem medir nada novo.
Foi por esse critério que duas afirmações sobre as regras fiscais, uma pedindo regras mais duras e a outra pedindo regras mais frouxas, viraram uma só.
Eram a mesma medida perguntada nos dois sentidos, com correlação de 0,91 em 182 documentos, e responder as duas fazia o assunto pesar dobrado na sua nota.
O mesmo aconteceu com duas afirmações sobre redes sociais, uma pedindo regulação por lei e a outra dizendo que a liberdade de expressão deve prevalecer sobre a remoção de conteúdo. A correlação é de 0,97 em 70 documentos, e nos 70 uma é o espelho exato da outra. Viraram uma só.
A correlação só é levada a sério quando pelo menos 25 documentos respondem as duas. Abaixo disso, duas afirmações sem nada a ver chegam a 0,98 só porque os poucos que responderam as duas são do mesmo campo.
O que o teste curto custa
Encurtar tem preço, e ele foi medido.
Simulando eleitores de perfis variados nas 27 disputas de governador, o simplificado aponta o mesmo primeiro colocado do teste inteiro em cerca de dois terços dos casos. Em 9 de cada 10 quando o primeiro abre margem clara sobre o segundo.
A instabilidade se concentra nos empates. A margem média entre 1º e 2º é de 0,07 numa escala de −1 a +1, e nessa faixa qualquer subconjunto de 39 perguntas sorteia.
Não é defeito desta seleção. Um conjunto de 39 escolhido com a cobertura de cada estado chegaria a 69%, e um sorteio aleatório fica em 55%. É o custo de responder menos, e por isso o aviso aparece também na tela de escolha do tamanho.
As mesmas afirmações valem para todos os cargos. A sua resposta fica guardada uma vez, e quem já respondeu pensando na Presidência não responde de novo para ver o resultado de governador.
As mesmas afirmações valem para todos os cargos, a sua resposta fica guardada uma vez, e dá para começar pelo curto e completar depois sem refazer nada. Quem já respondeu pensando na Presidência não responde de novo para ver o resultado de governador.
O que muda de uma eleição para outra é o que dá para comparar. O corte sai do que os próprios candidatos daquela disputa entregaram.
Medimos quanto do questionário o plano mediano da disputa cobre e exigimos que a afirmação seja tratada por pelo menos essa mesma proporção do campo, nunca menos que dois planos.
Onde os planos são densos o corte sobe, onde são curtos ele desce. Há dois limites fixos, escolhidos por nós: o corte nunca exige menos que dois documentos, nem mais que metade do campo. Sem o teto, numa disputa em que quase todos escrevem muito, o corte apagaria quase todas as afirmações. O teto está ativo em 9 das 28 disputas do Executivo e em todas as 81 do Legislativo, o que na prática faz o corte ser "metade do campo" na maioria dos casos. Abaixo do corte não existe comparação, só silêncio coletivo virando punição para todo mundo.
A tela de resultado mostra quantas afirmações entraram e quantas ficaram de fora.
O piso das candidaturas de referência. Numa disputa com muitos candidatos pequenos, o corte estatístico pode deixar de fora justamente o confronto entre os que lideram.
Por isso, na Presidência, toda afirmação em que Lula e Flávio Bolsonaro se posicionam entra na conta, mesmo abaixo do corte. Isso acrescentou 2 afirmações. Quem são as duas candidaturas de referência, e por quê, está explicado no tamanho do teste, logo acima.
Todas as respostas contam, mas só onde há o que comparar. A afirmação que quase nenhuma candidatura daquela disputa aborda sai da conta, porque ali o silêncio é de todos e não separa ninguém: só derrubaria a nota do campo inteiro.
Isso não é escolha sua nem nossa caso a caso: é a mesma regra em todas as 109 disputas, calculada a partir do que os documentos de cada uma entregaram. As afirmações que saem continuam na lista detalhada, com o que cada documento diz e em que página.
Até setembro de 2026 havia um botão para desligar esse recorte, chamado modo estrito. Ele foi removido: trocá-lo mudava o primeiro colocado em quase metade dos casos, e fazia o mesmo trabalho que a punição por silêncio e o tamanho do teste já faziam, com nomes diferentes.
Na tela de resultado, em Ajustar o cálculo, dá para trocar dos dois lados. Aí quem não fala do assunto perde ponto mesmo quando quase nenhum plano daquela disputa fala.
As afirmações fora do recorte nunca somem: elas continuam na lista detalhada, com o que cada plano diz e em que página, mesmo quando não pesam na nota.
Plano registrado como imagem. Alguns candidatos entregam ao TSE um PDF escaneado, sem texto dentro. Nesses casos lemos o documento por reconhecimento automático de caracteres, e a transcrição pode ter erros.
Todo candidato nessa situação aparece marcado como plano lido por máquina no resultado e em cada citação, e o PDF original continua linkado para conferência.
Compartilhar. O botão gera uma imagem no seu próprio aparelho, com o ranking e, se você quiser, a nota por tema. Nada é enviado a servidor: a imagem só vai para onde você escolher mandar.
Espectro político (só contexto). Mostramos também onde cada documento se posiciona em 13 eixos. O valor de cada eixo é a média das posições daquele documento nas perguntas que pertencem ao eixo, e nada mais: não há leitura separada do texto nem ajuste manual.
Quando o documento não trata de nenhuma pergunta do eixo, a célula fica vazia. Isso não entra na pontuação.
De onde vêm os eixos (decisão editorial). O TSE não classifica candidatos e a lei não exige tema algum nos planos.
Os 13 eixos, cada um com um único assunto, seus polos e o enquadramento de cada pergunta são uma escolha editorial do Vote Melhor, feita a partir de instrumentos consolidados da ciência política, que estão listados com link logo abaixo.
As afirmações do teste também são de autoria do Vote Melhor, escritas a partir do que aparece nos planos, cada uma com uma direção só e com a explicação do que significa concordar e discordar.
- Bakker, R. et al. (2015). Measuring party positions in Europe: the Chapel Hill expert survey trend file, 1999-2010. Party Politics, 21(1), 143-152. doi
- Jolly, S. et al. (2022). Chapel Hill Expert Survey trend file, 1999-2019. Electoral Studies, 75, 102420. doi
- Hooghe, L.; Marks, G.; Wilson, C. J. (2002). Does left/right structure party positions on European integration? Comparative Political Studies, 35(8), 965-989. doi
- Budge, I. et al. (2001). Mapping Policy Preferences. Oxford University Press; Manifesto Project (MARPOR), manifesto-project.wzb.eu, inclusive o conjunto América do Sul, que cobre eleições presidenciais brasileiras.
- Tarouco, G. S.; Madeira, R. M. (2013). Partidos, programas e o debate sobre esquerda e direita no Brasil. Revista de Sociologia e Política, 21(45), 149-165. SciELO
- Tarouco, G.; Madeira, R.; Vieira, S. (2022). Manifestos and ideology: methodological issues and applications to Latin America. Revista Brasileira de Ciência Política, 37. SciELO
- Bolognesi, B.; Ribeiro, E.; Codato, A. (2023). Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros. Dados, 66(2). SciELO
- Power, T. J.; Zucco, C. (2009). Estimating ideology of Brazilian legislative parties, 1990-2005. Latin American Research Review, 44(1), 218-246.
- Akkerman, A.; Mudde, C.; Zaslove, A. (2014). How populist are the people? Comparative Political Studies, 47(9), 1324-1353. doi
- Amorim Neto, O. (2011). De Dutra a Lula: a condução e os determinantes da política externa brasileira. Campus/Elsevier.
- Louwerse, T.; Rosema, M. (2014). The design effects of voting advice applications. Acta Politica, 49(3), 286-312. doi
Por tema. O mesmo cálculo, restrito às perguntas de cada tema.
Limites. Classificar texto em uma escala envolve julgamento; por isso toda posição tem página e citação, para você conferir.
No Senado, a fonte é outra
Não existe plano de governo de candidatura ao Senado. A Lei 9.504 só exige o documento de quem disputa o Executivo: Presidente, Governador e Prefeito. Conferimos as 318 candidaturas ao Senado registradas no TSE em 2026, e nenhuma tem plano, só certidões.
Dessas, 312 seguem na disputa; as outras 6 renunciaram ou tiveram o registro superado.
Então usamos o que o partido publica. Para cada candidatura ao Senado, a posição vem do programa partidário ou do plano que aquele mesmo partido registrou para a Presidência em 2026.
Onde as duas coisas existem, você escolhe qual vale, na tela de resultado; o padrão usa as duas, com o plano presidencial valendo onde houver e o programa preenchendo o resto.
O que isso implica, sem rodeio. A posição não é da pessoa. É do partido dela. Duas candidaturas do mesmo partido no mesmo estado recebem exatamente a mesma pontuação. Cada citação diz de qual documento saiu e de quem é o documento.
O que sustenta a escolha é que voto no Legislativo costuma seguir a orientação partidária, mas continua sendo uma aproximação, e bem mais grossa que a do Executivo.
Cobertura. Dos 30 partidos, 24 publicam programa e 20 têm plano presidencial, próprio ou da candidatura que apoiaram; 16 têm as duas coisas.
Só PODE e PRD não têm nenhuma das duas, e mesmo esses recebem, quando existe, o plano da candidatura ao governo daquele estado. No Senado, 310 das 312 candidaturas ficam com documento; as 2 que sobram são do PODE, e aparecem na lista sem percentual.
Partido que não lançou candidatura própria. Muitos partidos não têm candidato a presidente nem a governador, mas entram formalmente na coligação de alguém, e isso está registrado no TSE, na composição da chapa.
Quando é o caso, usamos o plano da candidatura que aquele partido declarou apoiar, e a citação diz de quem é o documento e que o partido apenas o apoiou. Não é palpite sobre alinhamento: é o registro oficial da coligação.
Foi o que permitiu, por exemplo, comparar candidaturas do AGIR, que não publica programa, pelo plano presidencial que o partido assinou.
No caso dos deputados estaduais, isso leva a cobertura de 28% para 89% dos pares estado-partido: 147 dos 523 partidos lançaram governador próprio, e outros 318 entram pela coligação que assinaram.
Todo mundo disputa na mesma chapa estadual. Senador, deputado federal e deputado estadual são eleitos no mesmo estado, na mesma eleição em que o partido lança ou apoia uma candidatura ao governo.
Por isso, quando nem o programa nem o plano presidencial cobrem o assunto, usamos como último recurso o plano da candidatura ao governo daquele estado que o partido lançou ou apoiou em 2026.
Para deputado estadual esse plano é a fonte principal, porque as competências batem; para senador e deputado federal ele é o último recurso, porque é documento estadual e eles legislam no federal.
A citação sempre diz de quem é o plano e a que disputa ele pertence.
Isso não é detalhe: o PP publica um programa de poucas linhas, e PODE e PRD não têm programa publicado que tenhamos encontrado, e nenhum dos três lançou ou apoiou candidatura à Presidência.
Sem a chapa estadual, candidaturas deles apareciam com uma ou nenhuma afirmação abordada. No Legislativo inteiro, sobraram 28 entradas de 1.429 com menos de 15 afirmações, ou seja 2%.
Aviso de base fraca. Quando o documento responde menos de 40% das afirmações em conta, a candidatura aparece no ranking com a marca base fraca e a porcentagem, e um aviso no topo explica que ali nota baixa não significa discordância, e sim falta de texto.
Isso vale para todos os cargos, inclusive os do Executivo.
Quem fica fora do ranking. Quando o documento do partido aborda menos de um quinto das afirmações em conta, a candidatura sai do ranking e vai para uma lista à parte.
A nota ali seria um número negativo grande, que o leitor interpretaria como discordância, quando na verdade é ausência de documento, e o documento nem é da pessoa.
Nos cargos do Executivo isso não acontece: lá o plano é da própria candidatura, e o silêncio dela é informação sobre ela.
Idade do documento. Programa de partido envelhece: os que usamos vão de 1996 a 2026. Um texto de 1996 não fala de aplicativo, rede social ou mercado de carbono, e nesses temas o partido simplesmente não pontua, em vez de receber posição inventada.
A data aparece ao lado do documento sempre que ele a traz; 8 dos 44 não datam o texto, e aí não inventamos data.
Deputado federal, estadual e distrital: comparação por partido
Como um deputado se elege: página própria, com as contas do quociente eleitoral, das sobras e da barreira que deixa partido inteiro de fora.
Aqui nem candidatura individual aparece. São 7.514 candidaturas a deputado federal e 11.361 a estadual em 2026. Listar nome por nome seria ilegível, e não faria diferença: sem plano de governo, a posição de cada uma sairia igual: a do partido.
Então a comparação é por legenda.
Isso não é atalho, é como o voto funciona. Deputado se elege por sistema proporcional: os votos de todos os candidatos de um partido, somados aos votos de legenda, formam um bolo que define quantas cadeiras aquele partido leva.
Só depois se vê quem, dentro dele, foi mais votado. Por isso um candidato muito votado elege colegas de legenda que tiveram menos votos do que candidatos de outros partidos que ficaram de fora.
Ao votar num deputado, você está escolhendo também o partido dele e ajudando a eleger quem mais estiver naquela lista.
A fonte muda conforme a competência do cargo. Deputado estadual, chamado distrital no Distrito Federal, legisla sobre assunto estadual, então a primeira fonte é o plano que o candidato a governador daquele partido registrou naquele estado, que é documento de 2026, escrito para as competências certas.
Onde o partido não lançou governador próprio mas assinou a coligação de outra chapa, vale o plano dessa chapa, que é o caso da maioria. Só quando não há nem uma coisa nem outra é que entra o programa partidário ou o plano presidencial.
Para deputado federal a ordem se inverte: primeiro o plano presidencial do partido, que é de pauta federal, depois o programa.
Na tabela de cada disputa, o documento que prevalece aparece primeiro e marcado. Na tela de resultado dá para trocar a fonte e ver quanto muda.
E, embora o ranking seja por legenda, a tabela lista quem concorre por cada partido, com nome e número: é nessas pessoas que você vota.
Número e cor do partido. O número vem do TSE: das candidaturas majoritárias, cujo número é o da legenda, e da composição das federações, que o traz escrito.
Já a cor é escolha editorial nossa, uma aproximação da identidade visual de cada partido para facilitar a leitura dos gráficos.
Não é dado oficial, e quando duas legendas da mesma disputa ficariam com a mesma cor, a segunda recebe uma cor neutra só para continuarem distinguíveis.
O que este teste não mede
Vale saber disto antes de usar o resultado: medimos o que a candidatura escreveu, não o que ela fez. No Executivo a nossa única fonte é o plano de governo registrado no TSE, e um plano é intenção declarada; no Legislativo, onde esse plano não existe, a fonte é o documento do partido.
Não conferimos se a pessoa cumpriu o que prometeu antes, como votou no Congresso, o que diz em entrevista ou em rede social, nem se a proposta cabe no orçamento.
Na prática, isso quer dizer que aqui um plano bem escrito e um plano cumprido são a mesma coisa. Quem nunca exerceu mandato e quem exerceu vários aparecem sob a mesma régua.
Para você isso pode ser exatamente o que quer, ou seja, comparar propostas sem o ruído da campanha. Ou pode ser pouco, e aí vale olhar também o histórico.
Atuação parlamentar e votação nominal entram numa próxima versão, como segunda dimensão ao lado do plano.
Outras ferramentas
Ninguém resolve isso de um jeito só. Estas fazem escolhas diferentes das nossas, e algumas cobrem cargos que nós não cobrimos. Descrição conferida em setembro de 2026; os métodos delas podem mudar.
Tem Meu Voto. Cobre deputado estadual, deputado federal e senador. A posição vem da própria candidatura, que responde um questionário em área autenticada; quem não responde aparece numa lista sem percentual. Também recusa rede social e biografia como fonte.
Politicando. Hierarquiza a evidência: primeiro atuação legislativa (projetos, votações, comissões), depois declarações formais, depois contexto de alianças, com leitura automática do histórico público. Tema sem histórico fica de fora do match, em vez de virar centro.
É a mesma solução que adotamos para o plano que não aborda o assunto.
Quem Votar. Foco na disputa presidencial, cruzando propostas oficiais, declarações públicas, votações no Congresso e cobertura da imprensa.
O que fazemos de diferente. Fonte documental declarada em cada linha, com hash de integridade registrado no arquivo de dados público, e citação literal em toda posição, com o número da página quando a fonte é PDF, e dá para abrir o arquivo e conferir frase por frase.
Dez programas de partido são páginas de internet arquivadas, sem paginação: nas 220 posições que vêm deles a citação leva ao documento inteiro, não a uma página. Em compensação, ficamos restritos ao que está escrito no plano: não inferimos nada e não olhamos histórico.